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Parto natural e ecológico

Giuliana Capello – Planeta Sustentável – 07/10/2008

Semana passada, fui à casa de uma amiga assistir ao vídeo do nascimento de sua primeira filha, Violeta Luz. Tudo naquelas imagens, do início ao fim, era muito especial. Para começar, paisagens belíssimas da ecovila Terra Una, em Liberdade, MG, local escolhido para a chegada da pequena – longe do agito da cidade e na tranqüilidade do contato intenso com a natureza.

Depois, imagens do casal Paulinha e Claudio e da parteira Olívia (que se formou no ofício nos EUA, sua terra natal, e já viajou o mundo para descobrir e aprender mais sobre a beleza e a sabedoria feminina que envolvem o parto natural).

Integração com o lugar e mente presente foram a regra nos dias que antecederam o parto. A alimentação natural ajudou na saúde e equilíbrio da mãe, que também bebeu muito chá de framboesa (aqueles moranguinhos silvestres) e folhas de urtiga, para fortalecer a placenta e regular os hormônios.

Um dos quartos da casa foi preparado para ser o local do parto. Em uma das paredes, Olívia desenhou uma mulher grávida, de cabelos longos e olhar sereno. Uma banheira inflável foi montada no centro, cercada por música suave, velas e flores. Estava tudo pronto para as primeiras contrações.

E assim aconteceu. O trabalho de parto durou cerca de 12 horas. Ao contrário do que acontece nos hospitais, onde a mulher não se alimenta nesse período, Paulinha não permaneceu em jejum, pois precisaria de energia nas próximas horas.

Nas primeiras contrações, Paulinha permaneceu fora da banheira, buscando posições mais confortáveis para suportar as ondas de dor. Quando as contrações ficaram mais fortes, ela entrou na água, junto com o Claudio que, encostado à borda da banheira, abraçava a companheira, tentando acalmá-la. Olívia cuidava para manter a água sempre morna e agradável, e estava por perto o tempo todo, ajudando a mantê-los confiantes e tranqüilos.

Pouco tempo depois, veio a última contração e a pequena Violeta chegou ao mundo. Dois segundos depois, já estava nos braços da mãe, que trocou, então, o primeiro olhar com a filha. Mãe, pai e filha estavam ali, juntos, e cercados por uma atmosfera tranqüila e divina – bem diferente daquelas cenas que vemos nas novelas, filmes e noticiários da TV. Não houve gritaria de mãe, nem bebê de ponta-cabeça, tesouras e bisturis, nem roupas e toucas azuis de médicos e enfermeiras.

Apenas a natureza estava ali, plena. A ciência, naqueles momentos, não foi a protagonista, embora Olívia tivesse conhecimento e treinamento para qualquer emergência. Paulinha precisou deixar o instinto falar mais alto, manifestando-se em movimentos. O medo deu lugar a uma sabedoria que ela ainda não conhecia. Um renascimento para ela também.

os primeiros minutos do nascimento, a família saiu da banheira. Olívia, então, retirou com cuidado a placenta da mãe, de onde partia o cordão umbilical, ainda ligado ao bebê. Nos hospitais, o cordão é cortado imediatamente após o nascimento da criança.  Mas, ali, ele foi mantido por umas oito horas, tempo suficiente para secar naturalmente, evitando traumas no organismo do bebê.

Hoje em dia, a placenta é descartada nas salas de cirurgia como lixo hospitalar. Mas naquele sítio em Liberdade, a riquíssima placenta se transformou em remédio homeopático para aliviar a TPM, regular os hormônios e até diminuir os sintomas da menopausa para a mãe e também a filha, daqui a alguns bons anos. Tem coisa mais natural que isso?

Conto essa história não para negar as vantagens e facilidades das descobertas médicas. Mas para ajudar as mulheres que gostariam de passar pela experiência do parto natural a reforçar o pedido para seus médicos. A cesariana não precisa ser a primeira ou única opção das mulheres – como acontece em São Paulo, onde mais de 90% das mulheres adotam esse tipo de cirurgia. A ciência pode, sim, ser aliada da natureza, sem ser a soberana ou dona da verdade.

Cá entre nós, ainda não sei se eu teria coragem de dar à luz em casa. Até porque já existem alguns (poucos) hospitais com equipes treinadas para o parto natural, ou seja, que conciliam as vantagens de um parto sem intervenções cirúrgicas com a segurança de se estar ao lado de uma sala de cirurgia, para o caso de necessidade de uma cesariana.

Seja como for, gosto de refletir a respeito e de pensar que a natureza sempre sabe o que fazer, ainda que a nós, homens e mulheres, falte confiança e entrega para deixar que a vida corra naturalmente, feito água de rio.

Post Oiginal: http://planetasustentavel.abril.com.br/blog/gaiatos-e-gaianos/117399/

 

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