fbpx
Uso das fraldas de pano em recém nascidos
junho 1, 2017
Comparação de custos das fraldas
junho 20, 2017
Exibir tudo

Nacionais ou Importadas

Todos já ouvimos falar sobre a lei da oferta e da demanda, na qual a demanda de produtos pelos consumidores diante de um mercado competitivo obriga que as empresas melhorem suas práticas e se diferenciem. Nesse contexto, a melhora da qualidade dos produtos é apenas uma questão de tempo e de mudança no comportamento de compra dos consumidores.

Dito isso, como podemos esperar que os produtos fabricados aqui se tornem melhores do que os importados quando o mercado é tão restritivo? No caso das fraldas de pano, qual o incentivo que os fabricantes tem para aperfeiçoar os produtos se a maior parte das mães prefere os importados?

Além da questão ambiental está a questão social. Embora o uso de fraldas de pano contribua com a preservação no nosso Planeta, a aquisição de itens importados envia o nosso dinheiro para outros países. Ou seja, financiamos empresas em outros países (com responsabilidade social duvidosa) e deixamos de suportar a atividade das empresas aqui, onde podemos fiscalizar. Como a maioria dos fabricantes de fraldas de pano são pequenas empresas, que dependem do dinheiro das vendas para reinvestir na produção, os pequenos negócios acabam se tornando inviáveis. E isso ocorre em vários outros ramos de atividade.

Assim, como ressalta Paulo Singer, “consumir um produto que possui as mesmas qualidade que os similares – sendo ou não um pouco mais caro – ou um produto que tenha uma qualidade um pouco inferior aos similares – embora seja também um pouco mais barato – com a finalidade indireta de promover o bem-viver da coletividade (manter empregos, reduzir jornadas de trabalho, preservar ecossistemas, garantir serviços públicos não-estatais etc.) é o que denominamos aqui como consumo solidário” [1].

Para esclarecer os benefícios do consumo solidário, seguem alguns critérios a serem adotados na hora de comprar:

Entre dois produtos importados – escolha aquele feito em países com melhor índice de desenvolvimento humano. Só compre de países com baixo IDH se tiver certeza de idoneidade da empresa.
Entre um produto nacional e um importado – prefira o nacional. Mesmo se a qualidade for inferior, ao ajudar a financiar a produção nacional estará fortalecendo o fabricante, incentivando para que busque melhores produtos, além de manter o dinheiro e o trabalho de várias pessoas dentro do nosso país.
Entre um produto feito longe da sua casa e outro feito próximo – prefira o produto feito próximo. Isso diminui a quantidade de combustível gasto para trazer um determinado item ao mercado perto da sua casa, além de fortalecer a economia local, geralmente composta por empresas de menor porte.
Entre dois produtos feitos próximos da sua casa – prefira aqueles com menor impacto ambiental e social. Ou seja, feito com ingredientes naturais, orgânicos, biodegradáveis, que apresentem menor quantidade de resíduos a serem processados após o uso, cuja empresa respeita os direitos dos funcionários e se preocupa com o impacto das suas atividades na comunidade.

Pode parecer difícil tomar todos esses cuidados à primeira vista. Afinal, são tantos detalhes a serem avaliados. Mas o trabalho vale a pena.

Quando optamos por financiar pessoas e empresas que estão fazendo a sua parte, também fortalecemos esse trabalho. Nossas decisões de consumo são como os votos numa eleição: o maior número decide quem ganha. Por isso, quanto mais optamos por produtos e empresas realmente preocupadas em fazer do mundo um lugar melhor, mais fortalecemos esse movimento e mais rápido veremos as mudanças necessárias.

[1] Introdução à Economia Solidária – Ed. Fundação Perseu Abramo

Publicado originalmente no Mais Com Menos.

Deixe seu comentário

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *